A intervenção urbana é uma forma de arte cujo objetivo é interagir, de maneira criativa e poética, com o espaço cotidiano e as pessoas. As intervenções são capazes de reinventar, ainda que momentaneamente, novos sentidos ao espaço escolhido e suscitar novas percepções às pessoas.

29.11.10

Dia 04/12: 3º Encontro do Projeto Cena Norte



Este sábado, 04/12, acontecerá o 3º encontro do projeto Cena Norte, que reuni grupos e artistas da Zona Norte de São Paulo.

Desta vez, o encontro será na sede do Coletivo Pi, às 10h.

Artistas da Zona Norte, compareçam!

Para saber como chegar na sede do Coletivo Pi, clique aqui.

26.11.10

Narrativas de Miguel


No dia 19 de novembro, o Coletivo Pi participou do Festival do Livro e da Literatura de São Miguel, organizado pela Fundação Tide Setubal, com a intervenção Narrativas de Miguel. A atriz Pâmella Cruz, uma das integrantes do Coletivo Pi que participou da intervenção, conta como foi a experiência de Narrativas de Miguel:
A nossa experiência enquanto artistas com uma intervenção de rua no Festival do Livro de São Miguel Paulista confirmou aquilo que pensamos sobre o contato direto entre arte e público.
Realizar uma ação na rua em que a participação dos passantes é fundamental para o desenvolvimento da mesma é um grande exercício de como conquistar o olhar, a atenção das pessoas para algo além de sua rotina. O mesmo vale para o objetivo principal do Festival do Livro: Como formar leitores? Como a leitura, como o livro conquista uma pessoa e a faz parar suas atividades corriqueiras?
Penso que essa aproximação por meio da arte e do próprio espaço da rua é muito interessante, na medida em que potencializa a rua como espaço do encontro, do diálogo, do aprendizado e não apenas um local de passagem, terra de ninguém.
As pessoas que pararam sua rotina para conversar, contar suas histórias e percepções do bairro em que vivem e em que muitos nasceram e foram criadas, contribuíram de maneira singular para a memória de São Miguel Paulista e durante certo tempo estiveram ali como escritores, poetas, historiadores, transformando as palavras em imagem e poesia.
Pâmella Cruz
"Meu avó sempre me dizia que aqui em São Miguel, as estrelas caem do céu como raios de luz"
Depoimento de uma das pessoas que participaram da intervenção Narrativas de Miguel

18.11.10

Festival do Livro e da Literatura de São Miguel

Nesta sexta (19/11/2010), o Coletivo Pi participará do Festival do Livro e da Literatura de São Miguel, realizado pela Fundação Tide Setubal, com a intervenção Narrativas de Miguel.

Pelo quinto ano consecutivo, a Fundação Tide Setubal realizará um evento de estímulo à leitura em São Miguel Paulista. Na edição de 2009, cerca de 4 mil pessoas participaram de encontros com escritores, contadores de histórias, poetas, além de debates temáticos, produção de textos coletivos e compra e troca de livros ao longo dos três dias do evento no CDC Tide Setubal.
A novidade, em 2010, é que o Festival não se restringirá ao CDC, mas também estará nas ruas, praças, paradas de ônibus, biblioteca, mercado municipal e estação de trem do bairro. Serão os Corredores de Livros, conceito inspirado nos corredores de ônibus que seguem itinerários mais livres para se livrar do tormento dos engarrafamentos urbanos. As atividades serão realizadas nos dias 18 e 19 de novembro, das 9h às 22h, e no dia 20 de novembro, das 9h às 17h.
Acontecerão, em diferentes locais, intervenções artísticas, contação de histórias e debates. Os livros doados serão distribuídos, gratuitamente, na feira de troca de exemplares do CDC. Para convidar os moradores à leitura, exemplares também serão pendurados em árvores.
O evento pretende contribuir para a democratização do acesso ao livro, uma vez que o acervo público da região é reduzido.
(site da Fundação Tide Setubal)

A proposta do Coletivo Pi para a intervenção Narrativas de Miguel é chamar a atenção dos transeuntes para uma situação inusitada dentro do contexto da rua, criando uma imagem viva, uma situação “improvável” para o espaço.

Clique aqui e confira a programação completa do Festival!

10.11.10

2º Encontro do Projeto Cena Norte

O segundo encontro do projeto Cena Norte aconteceu no dia 30 de outubro de 2010 no espaço da Cia Daraus. Apesar da manhã de sábado chuvoso, os participantes chegaram pontualmente e às 10h30 iniciou-se um diálogo rico e extremamente animador sobre como fazer da Zona Norte mais um espaço de produção cultural reconhecido pela população e pelo poder público.
Artistas, grupos de teatro, circo, produtoras e professores da rede pública, além de Sérgio Luis , do SESC-SP (propositor em conjunto com a Cia Arte tangível da iniciativa) estiverem presentes, expondo suas idéias, sugestões e criticas para as próximas ações do Cena Norte, para mostrar aquilo que já existe e está sendo produzido e para possibilitar novas alternativas.
Do encontro saíram as comissões formadas voluntariamente para tratar dos seguintes temas:
  1. Editais, leis de incentivo e recursos para sobrevivência dos grupos e ações culturais.
  2. Relacionamento com o Poder Público
  3. Formação Continuada
  4. Divulgação
Além disso, a Cia Daraus nos acolheu em seu espaço e mostrou cenas do seu novo espetáculo As Médeias da Periferia. Aliás, os jovens que estão em cena nos encantam com o envolvimento e paixão com que realizam a cena e todo o projeto da Cia em conjunto com Dani Ciasca.
No próximo encontro, dia 04 de dezembro, na sede do Coletivo PI as comissões apresentarão propostas de ações a serem debatidas e votadas por todos.
O Coletivo Pi, mais uma vez esteve presente e reforça sua participação no projeto Cena Norte, pois acredita no encontro e nas parcerias como espaço para construção de diálogos, ações e, primordialmente, para potencializar o fazer artístico. Aproveitando uma das frases de Arnaldo Antunes, escrita em uma das paredes da Cia Daraus, terminamos este pequeno relato:
"A gente não quer só comida, a gente quer comida, diversão e arte."

7.11.10

O Mundo de Norma


O Coletivo Pi apresenta o seu novo espetáculo O Mundo de Norma durante o mês de novembro em sua sede, no Clube Escola Santana na zona norte de São Paulo.

O espetáculo surgiu de um dos temas abordados na Bienal de Artes deste ano: “O que é invisível na cidade?” e articulando pesquisas sobre idéias de autores que discursam sobre a vida na sociedade contemporânea como Michel Foucault e
Bauman.

Com roteiro original O Mundo de Norma é uma peça divertida que retrata o cotidiano de quem vive em uma grande cidade e revela de maneira bem humorada e critica tantas situações absurdamente banais dentro da normalidade da vida urbana.


Veja o vídeo de divulgação do espetáculo:

video

Serviço:
Quando: 13 a 28 de novembro, sábados e domingos às 18h

Duração: 80min
Onde: Sede do Coletivo Pi - Clube Escola Santana
Av Santos Dumont, 1318
(clique aqui para ver o mapa)
Ingresso: Pague quanto quiser
Lotação: 20 pessoas
Retirar ingressos no local com 30 minutos de antecedência
Ingressos antecipados: 6603 89 93

5.11.10

Sobre o Manifesto do Pijama, por Carminda Mendes

Queridos e caros
Parentes nas Artes

Escrevo ainda no calor da euforia e da sensibilidade de nossa adorável performance na Bienal.
As provocações de sensibilidade das obras, o publico ávido de experimentar, a possibilidade de transformar o espaço da Bienal em um lugar utópico, de encontros entre diferentes, tudo, para mim, foi da ordem do sublime.
Tudo aos poucos, é verdade, mas chamuscante ao final.
Nossa experiência me mostrou que ali podemos inventar espaços para o reconhecimento do corpo-coletivo, do pertencimento à uma comunidade...
Ali dialogamos com sínteses artísticas e ficamos tontos, bêbados de tantas possibilidades para a subjetividade do coletivo (estou falando de nosso grupo e dos grupos de visitadores que comungaram conosco a leitura de algumas obras).
Nunca pensei que a Bienal pudesse possibilitar o exercício pedagógico de sofremos ontem! Mesmo com todo aparado de guerra ali internalizado,
mesmo com toda a estratégia de segurança nos conduzindo a um tipo de comportamento de ‘gado’,
os pijameiros coloridos respeitando a arte,
aos olhos desconfiados e medrosos das moças e rapazes com seus pijamas de cor preta,
os pijameiros coloridos com delicadeza,
aos olhos vigilantes dos rapazes com seus pijamas cinzas,
os pijameiros coloridos de ‘manifesto do pijama’ pelo corpo todo,
mesmo aos olhos espantados dos rapazes e moças com seus pijamas de camiseta verde, conseguimos ultrapassar a visitação consumista que nos impõe a logística da administração do evento,
mesmo com todas as armas apontadas na cabeça,
conseguimos chegar perto de alguns artistas e jogar em sua obra.
O que posso dizer dessa situação do visitante da Bienal?
Os artistas estão ali estrangulados,
suas obras interativas estão sendo cercadas por grades invisíveis de ferro mássico! Visitamos uma prisão de obras que nasceram para interagir.
As obras estão encarceradas por que são insurgentes.
Como o ‘manifesto do pijama’, insurgimos com algumas obras burlando a segurança...
questionando a própria existência de uma Bienal carcerária...
Obrigada por me possibilitar abrir os poros de um corpo-tartaruga.
Um beijo em cada um que ali viveu e se transformou.
Nunca mais seremos os mesmos.
Carminda Mendes

Carminda Mendes é atriz, encenadora e performer. Atualmente pesquisa formas pós-dramáticas e arte nos espaços públicos e é docente do Instituto de Artes da Universidade Estadual Paulista - Unesp. Sua atual área de interesses navega entre teatro contemporâneo e conhecimento.